Artigos, Saúde e Bem-estar

Ainda a Lei das TNC e os tratamentos Low-cost

Ainda a Lei das TNC e os tratamentos Low-cost

Já passou algum tempo em que não escrevia nada aqui no portal Lua Nova… desculpem, prometo ser mais assíduo daqui para a frente.

Hoje, ao passar numa das ruas da cidade onde vivo, deparei-me com um anúncio, até estava bonito e com todas as regras do marketing, que dizia: Tratamentos low-cost… fiquei confuso, admito. Mas agora a saúde também é low-cost? Ou será que ando distraído e não tinha dado por ela? Ou será que li mal?

Bem, seja low-cost ou outra coisa qualquer, eu pergunto?

Como é que será uma terapia, seja ela qual for, low-cost? Terá material low-cost? O tempo disponibilizado é também Low-cost ou low-time? (Desculpem esta minha ignorância em termos modernos na saúde) O efeito será, certamente, low-cost também? As condições de higiene serão Low-cost? A formação dos terapeutas será também low-cost? Será que estamos a falar de demonstrações de terapias para depois “vendermos” terapia a sério? (se assim for, ainda aceito, mas cuidado, não enganemos os pacientes e as pessoas que recorrem aos nossos serviços e não lhe “vendamos gato por lebre”.

Caros leitores, não gosto de enganar ninguém e fico com o meu “fígado” bastante alterado quando vejo tentativas de enganar as pessoas com promessas Low-cost, que nada mais querem que trazer clientes e depois as coisas são bastante diferentes, para não dizer outra coisa que possa ferir suscetibilidades e almas mais sensíveis.

Mas uma coisa posso dizer: low-cost em terapias é enganar as pessoas e os pacientes.

Vejamos as coisas como elas são, para que possamos entender que não podemos meter todos os terapeutas no mesmo saco (do lixo, digo eu).

Uma terapia, e falo naquela que mais me toca a acupuntura, não pode ser low-cost, ponto final. Porque para ser low-cost teria que ter: espaço low-cost, logo sem as condições necessárias de higiene; material, nomeadamente, agulhas low-cost, porque não cumprem os requisitos mínimos exigidos por quem trabalha bem (e em casos mais graves teriam que ser reutilizadas, ainda que se diga que foram esterilizadas); o tempo low-cost será 15 minutos, 20 minutos? Com este tempo, nem tempo teria para saber o que a pessoa necessita e pretende, quanto mais fazer um diagnóstico correto e definir o tratamento da forma mais adequada e segundo os padrões das boas práticas que se devem exigir aos terapeutas que trabalham nesta área das TNC.

Mas sugiro algumas perguntas que os leitores pode fazer aos terapeutas que ”vendem” terapias low-cost e depois deixo à consideração de cada a avaliação:

A primeira pergunta que podem fazer é: que formação têm e qual o números de horas que essa formação teve? (Aqui poderá ver um dos requisitos fundamentais, por exemplo, para a atribuição da cédula profissional em TNC: e uma formação que cumpra estes requisitos não é low-cost, nem na duração, nem na qualidade e, muito menos no preço que se paga por essa mesma formação).

A segunda pergunta seria: que tipo de terapia vou realizar? Quanto tempo dura a terapia? E quais os efeitos que posso esperar? (Milagres já não muitos a fazer, desculpem a piada)

A terceira pergunta que deverá fazer: durante essa terapia low-cost estarei acompanhado pelo terapeuta? Ou só o verei no início e no fim?

A quarta pergunta: que tipo de diagnóstico vai fazer? Observação, anamnese,  palpação, auscultação? Ou olha para mim e adivinha logo o que me traz aqui e o que preciso de fazer? ( Atenção, há algumas capacidades de adivinhação, não duvido)

A quinta pergunta poderia ser: Senhor Terapeuta, Sr. Doutor, posso confiar em si e nesta terapia low-cost ou depois teremos que avançar para outro tipo de tratamentos? ( Não vá o diabo tece-las e no final precisarmos de mais de 40 sessões low-cost para termos alguns bons resultados)

Bem e, para finalizar, porque o tempo da terapia Low-cost, já está a chegar ao fim, faríamos a seguinte pergunta: pois bem, há algum seguro de responsabilidade civil profissional (convém realçar responsabilidade civil profissional, pois caso contrário as seguradoras não cobrem so danos) que me garanta, em caso de ocorrência de acidentes recorrentes destas terapias low-cost, os necessários tratamentos sejam custeados pela seguradora?

Se no final deste pequeno, mas muito importante interrogatório, as respostas do terapeuta oferecerem as garantias que o leitor acha suficientes para garantir que a sua saúde não está posta em risco, então poderá concluir que esta terapia/consulta/tratamento, não é definitivamente, low-cost. E sabem porquê? Porque um terapeuta que cumpra todas estas exigências e responda a estas perguntas sem receio, nunca poderá ser um terapeuta low-cost, porque ele valoriza o trabalho que realiza e fá-lo de forma séria e, se quisermos, de forma premium.

Caros leitores, por favor, não quero com isto que desconfiem dos terapeutas que vos tratam, apenas espero que vos possa ajudar a encontrar terapeutas e terapias de qualidade excelente.

Sei que corro o risco de criar muita discussão e confusão com este meu texto, que espero seja publicado, e que muitos irão apresentar uma série de razões a desmentir o que aqui digo. Aceito e respeito tudo e todos. Mas será que não tenho razão?

No entanto, se quisermos, realmente, ajudar os nossos pacientes que têm recursos escassos e que não podem comportar os valores justos das nossas consultas, não precisamos de lhes apresentar terapias low-cost. Simplesmente lhe dizemos que o valor para eles é x ou y ou, até mesmo, oferecermos os nossos serviços. Terapias Low-cost é denegrir a imagem da terapia, do terapeuta e dos próprios pacientes.

Que o carnaval traga a folia necessária para descontrair e retemperar forças para mais uma jornada.

Bem hajam, até breve

Nuno Pacheco

Se gostou deste artigo partilhe com os seus amigos

Veja também