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Desabrochar da Flor de Lotus – Parte 1 Júpiter em Escorpião

DESABROCHAR DA FLOR DE LOTUS

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PARTE 1

Júpiter em Escorpião

10 de Outubro de 2017 a 8 de Novembro de 2018

Como tenho sempre reforçado ao longo do meu trabalho, toda a manifestação da energia de um planeta através de um signo está dependente do nível de Consciência, individual ou colectivo, através do qual é filtrada. Por isso insisto que este artigo (e os seguintes) pretende reflectir quer as energias presentes no estado actual da consciência da Humanidade quer o potencial a ser alcançado pelo colectivo e que algumas pessoas, de forma individual, já são capazes de expressar.

Começamos por reflectir como tanto o homem e o Planeta Terra são essencialmente constituídos por Água. Somos cerca de 70% água. Em astrologia, este elemento está associado ao corpo emocional, e por conseguinte, às imagens e impressões subjectivas que memorizamos das experiências. Quando pensamos nos processos de desenvolvimento do homem, o nível mais difícil de sofrer verdadeiras alterações corresponde ao corpo emocional. As emoções, os nossos sentimentos, as nossas memórias são a parte que oferecem maior resistência à mudança. Podemos mudar as nossas atitudes, até o nosso pensamento, no entanto, podemos ainda nutrir sentimentos contraditórios ao que fazemos ou pensamos. Memorizamos as impressões subjectivas das experiências e somos altamente (senão totalmente) influenciados por essas memórias.

«A Memória, da forma como a estamos a interpretar, não é simplesmente uma faculdade mental, como é tão frequentemente assumido, mas é essencialmente um poder criativo. Ela é basicamente um aspecto do pensamento e – em conjunto com a imaginação – um agente criativo»

(Esoteric Astrology, Alice Bailey).

Júpiter transita em Escorpião de 10 de Outubro de 2017 a 8 de Novembro de 2018. Escorpião é um signo de Água, mas cujo teor emocional é bastante mais denso que o signo de Caranguejo. As águas de Escorpião são consideravelmente mais densas e muito mais “cabeludas”. Aqui é necessário um esforço acrescido para compreender as motivações e os impulsos que estão ocultos à nossa Consciência e que precisam de ser reconhecidos para que possamos reorientar a nossa vida e apontar para um horizonte que não seja uma repetição do passado.

Júpiter é um planeta que está associado a crescimento. Os seus trânsitos são uma bússola que apresenta o Caminho que a Humanidade deverá escolher para Crescer. No entanto, como somos extremamente míopes, e para nos beneficiar, ele actua por ampliação. Pelas qualidades de ampliação ele permite aumentar a nossa capacidade de visão quer no que respeita à necessidade de compreender o estado em que nos encontramos, quer no que respeita à necessidade de ver mais e melhor para além disso permitindo-nos usufruir das qualidades e benefícios do signo em que transita. A fama do “Grande Benéfico” deve-se ao facto de que os trânsitos de Júpiter permitem as oportunidades que vão trazer benefícios ao nosso processo de desenvolvimento. É a capacidade de visionar um novo Caminho, que há sempre uma escolha melhor do que a nossa “memória” permite vislumbrar. Mas a intenção deste “melhor”, ainda que possa trazer benefícios mundanos, é sempre o de ampliar a nossa relação e conhecimento com a dimensão espiritual do nosso Ser. No entanto, do ponto de vista mundano, em que a natureza instintiva é dominante, o princípio de Júpiter é frequentemente usado para servir os desejos de expansão da personalidade, para favorecer o crescimento e ambições individuais. O homem não desenvolvido (sempre na perspectiva espiritual), procura exclusivamente a obtenção dos benefícios mundanos, a bem aventurança individual. A este nível, Júpiter em Escorpião, está a ser regido pelos princípios exotéricos de Marte e Plutão. Tendo em consideração as qualidades de expansão de Júpiter, e as qualidades de intensidade e profundidade do signo de Escorpião, presumo que nos esperem (ainda) tempos de extremos, principalmente porque a vida da humanidade tem sido essencialmente uma vida de excessos… nesta perspectiva, em Escorpião, o trânsito de Júpiter poderá representar a ampliação da insatisfação e completa cegueira existencial, um tempo de extrema violência e destruição.

Mas apesar desta possibilidade, com Júpiter podemos sempre ter um acréscimo de Fé que permite a esperança que somos capazes de Mudar, e em Escorpião, de mudar de forma extrema. A mudança de que precisamos, individual e colectiva, requer uma profunda alteração no nosso sistema de crenças, no que conseguimos Acreditar sermos capazes para construir um mundo melhor, em conseguirmos Acreditar no potencial que existe se transformarmos a nossa visão para o Futuro. As orientações do nosso sistema de crenças deverão facilitar a resolução dos conflictos e crises individuais e colectivas, bem como permitir o reposicionamento ou a reorientação do homem com relação à razão e sentido da sua própria existência.

Se compreendermos a natureza de Júpiter como a capacidade de Intuir e escolher o novo Caminho a Seguir, este posicionamento em Escorpião parece-me bastante importante, como se nos encontrássemos numa encruzilhada existencial, já que as escolhas a tomar daqui para a frente residem na destruição e morte, ou na Iluminação e consequente reorientação (nossa e por conseguinte, da Humanidade). Enquanto Júpiter ainda se encontra em Escorpião, e apesar de nunca efectuarem aspecto entre si, Úrano ingressa em Touro a 15 de Maio de 2018, permitindo uma activação importantíssima do eixo Touro/Escorpião. De acordo com os ensinamentos esotéricos, Touro é o signo onde o Homem atinge a Iluminação. Durante a permanência neste signo, Úrano permite a Libertação das formas que nos condicionam, a que podemos chamar “desejos”, e Despertar para a vida da Alma. O próprio Buda está associado ao signo de Touro (e porque em astrologia devemos sempre pensar em eixos, o signo de Escorpião). Buda, que significa aquele que está “Desperto”, é a personificação do estado de Iluminação a que se refere a astrologia esotérica com relação a este signo como “O Olho Iluminado do Touro”, aquele que consegue Ver para além de Maya (Escorpião). Esta Iluminação, que é uma consequência do processo de “Despertar”, prende-se com a capacidade de compreender “a verdadeira natureza dos fenómenos” de que nos ensina o Budismo, e que consiste exactamente no entendimento de que todos os fenómenos são impermanentes. Esta consciência permite uma vida plena, livre dos condicionamentos mentais que estão na origem da insatisfação e do sofrimento. No seu potencial, Júpiter em Escorpião representa esta capacidade de compreender o significado de impermanência que está igualmente associada à Lei da Circulação. É compreendermos que tanto do que construímos, nasce, cresce e morre, e ainda assim ficarmos contentes com isso porque conseguimos ver nisso uma oportunidade.  Permite-nos a capacidade de Ver para além do cenário de destruição que está presente nos nossos tempos actuais, na nossa vida pessoal e colectiva (já não dá para pensar de outra forma), a capacidade de avançar sem negligenciar as perdas, os problemas, os conflictos para que possamos Descobrir o Caminho para a Cura. Ampliar o nosso conhecimento com relação a ferramentas de cura e limpeza que sejam Benéficas, e até explorar algumas que antes seriam consideradas tabu. E porque Júpiter é esperança, sabemos que nada se perde, tudo se Trans-forma, mesmo o que parece já não ter utilidade e seria apenas lixo.

Para uma sociedade que se construiu com base em valores essencialmente materialistas, a passagem de Júpiter pelo signo de Escorpião e a activação do eixo Touro/Escorpião com o ingresso de Úrano marcam mais um fim para esta consciência individual e colectiva, bem como a necessidade de reconhecer que, sem Vermos o carácter destrutivo desta forma de estar, ela será, na verdade, o nosso fim. Permite o recomeço e a reconstrução de uma nova sociedade, radicalmente fundada em novos valores. E para podermos ganhar mais, Júpiter em Escorpião ensina que, antes que essa nova realidade colectiva possa acontecer, muito teremos ainda que aprender a perder, mesmo ao nível material. Esta oportunidade de reorientação, redirecionamento que Júpiter proporciona, em Escorpião, implica a passagem por profundos testes e crises antes de passar do teste à Vitória. Preve-se um período de profunda luta, uma luta que pretende eliminar formas de vida obsoletas, onde uns irão lutar para não morrer e onde outros já anseiam por uma nova vida. Por isso é fundamental reconhecermos a nossa natureza destrutiva, lidar com ela de forma honesta para podermos deixar o passado no seu lugar e ambicionar um futuro diferente. Compreender pelo que vale a pena morrer, extrair oportunidades do que necessariamente teremos que perder caso pretendamos continuar a existir, e exercer um correcto uso do Poder. Este novo caminho por entre as cinzas, permite-nos descobrir novos recursos, ocultos para o estado de consciência em que nos encontrávamos antes de “Despertar”. Talvez seja a fase de explorar as últimas gotas daquilo a que poderia chamar a “era do petróleo”, até ao ingresso de Úrano em Touro. É a capacidade de voar mais alto, acima da nossa natureza destrutiva. A este nível Júpiter está a ser regido pelos princípios esotéricos de Marte e (talvez) hierárquicos de Mercúrio.

Durante o seu trânsito pelo signo de Escorpião, Júpiter estabelece contactos bastante favoráveis com Neptuno e Quiron em Peixes e Plutão em Capricórnio. Apesar do seu movimento não ser lento quando comparado com os planetas transpessoais, e dos seus contactos durarem poucos dias, grandes podem ser as suas oportunidades por entre as crises, principalmente porque, neste caso, Júpiter rege Neptuno e Quiron em Peixes, e Plutão rege Júpiter em trânsito.  Estamos disponíveis para não rejeitar aquilo que é o lado negativo da nossa existência e ver, na dor e no sofrimento, oportunidades para as grandes transformações que visionamos serem absolutamente necessárias. Aquilo que era Verdade e fazia Sentido antes, é obsoleto agora. Estamos disponíveis para realizar os Sacrifícios necessários neste novo Caminho, um Caminho de reorientação do inconsciente colectivo, de maior União não importa o credo, a filosofia ou religião. Metemos o dedo na ferida e sabemos exactamente porque dói. Sabemos onde não temos poder e isso facilita e aumenta a vontade de transformar, regenerar, deixar ir, e acreditar profundamente que nada é impossível. E na esfera do impossível podemos Acreditar no aparecimento de Leis menos materialistas, mais inclusivas e compassivas, e que mais possa ser colocado sob a sua protecção. E como se trata de tanta água, em que acrescem os contactos com Neptuno e Quiron em Peixes, muito da nossa cura passará pela limpeza do nosso corpo emocional e, literalmente, dos nossos mares e oceanos, assim como daí poderão surgir novas oportunidades ainda não exploradas.

Do meu ponto de vista, isto significa que, estes próximos anos (talvez até 2025) podem ser de extrema importância no que respeita às possibilidades de Iluminação por parte da Humanidade, um verdadeiro ponto de viragem, com grandes transformações e descobertas, um período de Despertar, de desabrochar da Flor de Lótus. A simbologia desta última está igualmente associada a Buda e ao trabalho desenvolvido sobre a influência de Júpiter em Escorpião e Úrano em Touro. Na Índia, a flor de Lótus simboliza o crescimento espiritual. A sua simbologia começa nas raízes, já que toda a beleza e harmonia que a flor representa à superfície, está dependente e teve origem nas raízes que crescem na obscuridade da água (frequentemente lodosas e turvas). Apesar da pureza e da beleza da flor, ela nunca poderá viver sem as suas raízes… Até que Úrano ingresse em Touro, Júpiter em Escorpião permite-nos desenvolver um trabalho importantíssimo de reconhecimento dos problemas em que vive a Humanidade, um período em que teremos que nos focar nas águas turvas em que se encontram as nossas raízes até que possamos fazer desabrochar a nossa Flor de Lótus.

«Todos vós ansiais pela Luz, pela Libertação daquilo que vos prende. Mas a forma como muitos procuram essa Liberdade é no exterior, através do conhecimento intelectual por exemplo, e isso não será eficaz. A única forma para alcançar a Liberdade é entrar em nós mesmo. Dessa forma teremos que passar por um túnel de escuridão e emergir do outro lado. Onde brilha a luz da verdadeira independência. Apenas após reconhecermos a nossa responsabilidade pela escuridão à medida que percorremos o túnel — uma experiência em nada agradável — poderemos alcançar essa Luz. Enquanto não encontrarmos as imagens que nos condicionam estaremos presos e a reactivar o drama dos nossos erros. Não teremos consciência desses erros e iremos repeti—los continuamente, e isso irá conduzir—nos ao mesmo tipo de realidade.»

(Eva Pierrakos, Pathwork palestra 41)

Que esta temporada de Júpiter em Escorpião seja a nossa viagem pelo Túnel, a exploração das nossas minas de Ouro, a nossa viagem desde a Raiz até à Flor, desde a escuridão até à Luz.

“Júpiter em Escorpião” constitui a Parte 1 do “Desabrochar da Flor de Lótus”, pelo que mais será  desenvolvido com relação à simbologia e propostas de desenvolvimento relativos ao ingresso de Úrano em Touro, signo onde permanece até ao dia 7 de Julho de 2025.

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© Ana Paula Pestana, All Rights Reserved

Fonte da imagem:

 Ellen Jantsch

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