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Descubro que sou mais Forte

Descubro que sou mais Forte do que…

Descubro que!…

“Descubro que sou mais Forte do que posso aparentar com este ar franzino, quando consigo da melhor maneira possível, conviver com o compasso da Dor, que segue meticulosamente o compasso dos segundos e se perpetua neste corpo frágil e cansado!

Descubro que consigo Sorrir, sem criar esboços de sorrisos, mas expressando Sorrisos genuínos que partilham alegria, que provocam outros sorrisos e que inspiram confiança!
Descubro que consigo Cuidar do Outro, mesmo que naquele instante precisasse Cuidar de mim ou que alguém de mim cuidasse!
Sim, posso afirmar que mesmo perante a presença da Dor, é possível Sorrir genuinamente e sem quaisquer reservas!

Descubro que consigo, mesmo que utopicamente, esquecer parte dos dilemas, do cansaço em alguns movimentos e consigo saltar, brincar, provocar gargalhadas e ser novamente criança! Mesmo perante os saltos e brincadeiras, sinto a respiração mais ofegante, a discreta falta de ar, que me pede para parar, para descansar!

Descubro que preciso parar mais tempo do que o habitual, que não consigo fazer os mesmos movimentos de outrora, sem que sinta picadas no corpo, sem que sinta um enorme formigueiro!
Parar não faz mal algum, reconhecer que é preciso parar é algo muito positivo, pois é reconhecer os novos e inesperados limites corporais, compreendendo a nossa nova forma de estar e viver!

Descubro que preciso estar atento, pois a minha alegria, a minha brincadeira, os meus sorrisos, podem ser confundidos com um bem-estar que não é constante e que não é vivido em plenitude, devido à dor, ao cansaço, à confusão mental!

É preciso estar atento pois ter bom ar, em nada está relacionado com o convívio diário com uma doença invisível, que não se expressa descaradamente e não se demonstra ao Outro e pode levar a diversas interpretações sem sentido ou conhecimento de causa!

Descubro que o queixume pode fazer parte do meu dia-a-dia, que não faz mal queixar, desde que não se viva num enredo de vitimização, permitindo ficar dependente e prisioneiro das nossas queixas!

Queixo-me quando sinto que tenho que queixar e se há algo que aprendi, ao conviver com a dor, é que a minha tolerância é enorme e se me queixo, é porque ultrapassei todos os limites possíveis e quantificáveis e ultimamente, tenho me queixado!

Descubro então que sim, que sou mais Forte do que pensava, mas que também tenho as minhas fraquezas, os meus limites, as minhas reservas e hoje, mesmo sorrindo e brincando, posso afirmar que ultrapassei os meus limites de tolerância da Dor, do extremo cansaço e que sim, preciso mesmo parar!”

Ricardo Fonseca, 2016

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