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A hipnose alivia a dor?

Investigadores britânicos afirmam que detectaram a área cerebral vinculada à intensidade da dor.

 22A equipa da Universidade de Oxford usou uma nova técnica com imagens para observar o modo como diferentes níveis de dor afectavam o cérebro de 17 voluntários. A actividade em apenas uma área do cérebro (a ínsula posterior dorsal) correspondia aos valores de dor referidos pelos participantes.

Este método poderia ser usado para ajudar a avaliar os níveis de dor nas pessoas que têm dificuldade em dar essa informação ao médico, por exemplo, porque estão em coma, porque são crianças pequenas ou por sofrerem de demência. O estudo foi publicado a 9 de Março de 2015 na revista “Nature Neuroscience”.

“Identificamos a área cerebral provavelmente responsável pelo núcleo da experiência de dor que indicamos simplesmente com um ‘dói-me’ “, afirmou em comunicado de imprensa da Universidade, Irene Tracey.
“A dor é uma experiência complexa e multidimensional, que provoca a actividade de muitas regiões cerebrais que participam em coisas como a atenção, em sentimentos e emoções como o medo, na localização da dor, entre outras. Contudo, a ínsula posterior dorsal, parece ser específica para o ‘nível de dor real’.”
“Conseguimos encontrar esta área graças ao desenvolvimento de um novo método de registo da actividade cerebral”, disse Tracey. “Este método permite observar estados cerebrais mais complexos, que se prolongam por períodos mais longos. Ao dar continuidade à dor que se sente durante muitas horas, conseguimos filtrar mais experiências momentâneas, como as variações de atenção e de medo.”

No estudo, aplicou-se, à perna direita de 17 voluntários saudáveis, uma pomada contendo capsaicina* (o ingrediente activo das malaguetas picantes), que causa uma sensação de ardor. Quando a dor começou a desaparecer, aplicou-se um saco de água quente na mesma zona, para reavivar a dor. Após alguns minutos aplicou-se água fria na zona para aliviar a dor.
Enquanto se desenrolava o procedimento realizaram-se exames (scanner) aos cérebros dos participantes que indicavam os níveis de dor aos investigadores.
Os resultados sugerem que, ao mudar a actividade na ínsula posterior dorsal, talvez seja possível aliviar a dor que não responde a outros tratamentos, dizem os investigadores.

Original @ Fibromialgia NotíciasFonte @ University of Oxford, 9 de Março 2015

* O Lobo da ínsula é um lobo profundo, situado no fundo do sulco lateral, no encéfalo. A ínsula tem forma triangular com vértice ínfero-anterior, está separada dos lobos vizinhos por sulcos pré-insulares. Possui cinco giros (curtos e longos). As suas principais caracteristicas são fazer parte do sistema límbico e coordenar emoções, além de ser responsável pelo paladar.

A hipnose está vinculada ao sistema límbico e ao hipotálamo ( centros cerebrais que regulam as emoções básicas), interagindo com todas as funções do organismo, através do sistema simpático e parassimpático ( como acontece em qualquer emoção), tendo ainda a participação das áreas corticais específicas de cada função seletiva.

Hoje as técnicas modernas da eletroencefalografia computadorizada (mapeamento cerebral), e do TEP (termógrafo de positrons), confirmam a natureza psicodinâmica e neurofisiológica da hipnose, muito diferente, por certo, do estado de sono que antigamente pensava-se que fosse. A hipnose não é sono. A hipnose assemelha-se muito ao estado de sono paradoxal (sonhos), onde estão presentes as ondas cerebrais lentas (ritmo alfa e teta ), comum aos estados meditativos do yoga e zen.

Mesmo que a hipnose tenha sido desenvolvida inicialmente como um método de cura (Mesmer), ela por si não cura nada.

A hipnose é uma emoção límbica, como qualquer emoção do nosso dia-a-dia, a sua utilidade na educação e reprogramação do comportamento supera qualquer outro procedimento, porque polariza a atenção de forma seletiva, e concentrada, facilitando a programação do subconsciente.
Por meio da hipnose podemos desenvolver nossas habilidades naturais e desbloquear nossas energias reprimidas, libertando o potencial do nosso inconsciente e elevando a nossa capacidade de otimização de um estado.

Dessa forma, a hipnose é uma ferramenta valiosa não só na libertação e ressignificação de conteúdos emocionais mas também na gestão de estados dolorosos, facilitando o seu controlo e diminuindo a sua intensidade a par de um crescente relaxamento muscular.

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