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Expetativas e desilusões!

Expetativas e desilusões!

“Faz parte da personalidade do ser humano criar expetativas em relação a algo ou alguém, expetativas essas que quando não equilibradas, não reguladas com consciência e bom senso, podem tornar-se, muitas vezes, em desilusões! Após cada desilusão o ser humano sente os seus níveis de confiança diminuídos, a sua autoestima a balançar, transferindo esse sentir para todos os campos da sua vida, estando ou não relacionados com o contexto no qual de despositaram altas expetativas!
É saudável ter expetativas em relação a algo ou alguém, desde que se saiba equilibrar a sua quantificação, nem muito altas nem escassas, pois as mesmas servem, em muitos momentos, como um impulso para acreditar naquilo pelo que se está a lutar! É saudável esperar algo de alguém, desde que não se espere por um determinado comportamento, sentimento ou emoção, de acordo com a aquilo que nós queremos, invalidando o que o Outro é, como sente e vive, não tendo qualquer obrigação de corresponder às nossas expetativas!
A desilusão que dizemos sentir em relação a algo ou alguém, deve-se ao tanto que esperávamos, ao tanto que queríamos, esquecendo a relação bilateral entre o nosso querer e o que o Outro lado tem e pode dar! Não é por não responder como nós queremos, que invalida a veracidade dos seus sentimentos e a qualidade da relação que nos une!
Eu já esperei demais da Vida, das pessoas com quem me relaciono, dos projetos em que me envolvo e já me dececionei em grande escala, a par das grandes expetativas, sem contar com as outras incógnitas da equação relacional e emocional! A desilusão surgiu e dei por mim a pensar de forma igual em relação a tudo, a todos, invalidando sonhos, desqualificando relações, sentindo-me desmotivado, frustrado!
Quando parei para refletir e analisar diversas situações, concluí que as minhas expetativas eram tão altas, que a desilusão parecia ser o único resultado possível, pois queria escalar alto demais, queria mergulhar fundo de mais, queria agarrar tudo e todos com mais força, queria ser amado por tudo e todos, em ilusórias relações e sensações que culmatavam quaisquer carências da minha Alma!

Concluí que até perante mim mesmo, criei imensas expetativas e devido a isso, nunca era suficientemente bom, nunca amava como devia, nunca cuidava como queria e devia, nunca era reconhecido como julgava que devia ser! Esperei demais de mim e obriguei o meu ser e o meu corpo a um esforço descomunal, que levou a um cansaço mental e emocional extremo, cujas sequelas existem em mim, passado tanto tempo e até potenciaram os sintomas de uma doença física, mas também emocional!
Achava que podia tudo, o nada não era resposta para mim e coloquei altas expetativas nos compromissos, nos contratos, nos cuidados, nas partilhas, nas relações e é claro que, nem sempre corria como queria, nem sempre me abriam a porta, nem sempre partilhavam as mesmas emoções!
Compreendi que sim, é saudável ter expetativas à medida do que sei que sou capaz, do que verdadeiramente quero e sinto, do genuíno sentido e significado para o meu Viver, sabendo que se conseguir atingir Mais, se o reconhecimento for gratuito e não uma obrigação, estarei a criar alegrias, bênçãos e não desilusões!

Hoje agradeço as metas que atinjo diariamente por mais pequenas que sejam, os sonhos que concretizo por mais simples que possam ser, agradeço o que faz parte de mim, na quantidade e qualidade certa, sabendo que tudo o resto que vier a Mais, será celebrado de forma mais verdadeira e com mais significado!
Hoje espero de mim, aquilo que Sou capaz de fazer, respeitando os meus limites físicos, delineando os meus limites emocionais, não para não me desiludir, apenas para proteger o meu ser de voos sem sentido e compromissos sem qualquer impacto no meu Viver!
Hoje não forço o meu corpo, mesmo que o mesmo sinta uma dor constante a assolar cada poro de pele, respeito os seus movimentos e firmo passos mais simples, pequenos, mas com grande impacto no meu Viver e no viver de quem comigo se relaciona!
Por isso também digo, que não sejam criadas expetativas desmedidas e sem sentido, em relação a mim, ao que Sinto, ao que quero, ao que sou capaz, consoante a imagem e ideia de quem as cria! Não sejam criadas expetativas elevadas em relação ao que possa fazer, mas que sejam respeitados os meus limites, o meu tempo, o meu silêncio, os meus gritos, a minha alegria e tristeza, ou seja, quem Sou e o meu Viver!”

Ricardo Fonseca, 2015

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