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E tu, já tiveste esta sensação? Nem sempre o que parece é…

Nem sempre o que parece é.

Nem sempre o caminho que percorres é aquele que pensaste ser ao início ou em momentos passados do percurso. O caminho muda como tu mudas. É o mesmo caminho – como tu és o mesmo – mas diferente, como tu também és diferente daquilo que já foste.

E a cada passo que dás em frente o que fica para trás como que se dilui desta dimensão e fica suspenso em contraluz…tornando-se irrecuperável no sentido em que até poderás dar um, dois ou quantos passos quiseres ou precisares para trás…mas o caminho percorrido não volta.

Será sempre diferente o que encontrares. É o mesmo caminho, mas diferente. Tal como tu.

E quantas vezes, percorremos a nossa estrada convictos de que sabemos onde ela nos leva, e , subitamente, ao sairmos de uma curva mais apertada, ela deslumbra-nos e surpreende-nos com uma paisagem inesperada, uma nova perspectiva do rumo que escolhemos…o mesmo caminho, o mesmo rumo, e contudo, tudo novo, tudo para além daquilo que imaginámos, daquilo que ponderámos, de tudo o que até então pensámos.

Tal como nós.

E cada declive, cada inclinação, cada poça de lama, cada curso de água, cada árvore e cada pedra…tu podes escolher se são obstáculos ou alavancas, se são paragens ou indicadores do sentido a seguir…a escolha é tua e só tua. E tudo está bem, escolhas como escolheres. Não nascemos com asas. Há que dar tempo para que elas nasçam e cresçam, e depois há que dar tempo para que as penas se descolem e, uma a uma, vibrem com as correntes de ar.

Entende que os ventos das tempestades, os granizos de pedra, os nevões gelados, as chuvas torrenciais…tudo faz parte das ferramentas que te vão polir, lapidar, até que a tua luz possa brilhar livre de poeiras e sedimentos que apenas te pesam, te sujam e te prendem a conceitos, ideias, pensamentos, hábitos, sentimentos, crenças, sensações, que não são as tuas.

Deixa-as cair, uma a uma. Não precisas delas. Despe-te de todas as roupagens que te vestiram e que tu escolheste para tapar quem tu és. Larga essa mochila repleta de velharias. Abre as gavetas uma a uma e esvazia-as de tudo o que já não te serve. Escancara as portas dos armários e deixa que o Sol desintegre os esqueletos que escondes…

E assim, quando o caminho íngreme que escalas – quantas vezes de gatas, arrancando a força da dor, a ferros – ficar a pique sobre ti…voa! Bate as tuas asas e voa! Já poderás voar e elevar-te e do alto contemplares a imensidão do Ser que tu és…do Ser que te tornaste. Do Ser que vieste cá ser.

Nem tudo o que parece é. Então, não te conformes com menos do que tudo aquilo que tu já és dentro de ti. Apenas tens que continuar a caminhar. E quando a altura chegar…voar.

Cristina Fernandes

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