Artigos

O que é o Neuroyoga Criativo?

NEUROYOGA CRIATIVO

Este novo sistema a que dei o nome de Neuroyoga Criativo, nasce do conhecimento pessoal da eficácia integral, em todos os aspetos e sentidos humanos, da prática do Yoga, de algumas formas de trabalhar a criatividade e ativação neuronal, melhorando o funcionamento cerebral, através de exercícios e estratégias, que na área neurocientífica cada vez mais são estudadas e comprovadas e principalmente da vontade de relembrar a importância da intuição e a alegria de viver apesar do que nos é externo e “aparentemente” negativo.

Este sistema tem um objetivo concreto que nos pode levar, duma forma direta, prática e lúdica, a uma transformação individual beneficiando da energia de grupo. São aplicadas “ferramentas” acessíveis a qualquer idade, condição física, credo ou ideologia.
O Neuroyoga Criativo visa capacitar cada um a superar conflitos, desafios, mudança de valores e paradigmas, trabalhar a resiliência e essencialmente proporcionar um “resgate” da inteligência da alma.

 

Sobre o “resgate” da inteligência da alma este sistema pode funcionar como “um despertador” que leva, de uma forma subtil, a reconhecer quem realmente somos, qual o propósito da vida, nos conecte com a nossa essência e ative a “recordação” fundamental da nossa existência.
Quanto à ativação neuronal está provado cientificamente que quando trabalhamos simultaneamente mais do que um sistema: auditivo, visual, táctil com atividades lúdicas, de uma forma dinâmica e prazerosa, há alterações na quantidade e qualidade das conexões sinápticas melhorando assim o funcionamento cerebral de forma positiva, permanente e com resultados eficazes e satisfatórios.

Foi criado para o efeito um grupo piloto de trabalho que experienciou, durante um ano em sessões semanais de duas horas, o programa estabelecido de acordo com os objetivos. Em cada sessão o tempo foi dividido em duas partes com um pequeno intervalo, entre as duas, para um chá de ervas para descontrair, hidratar e facilitar a segunda parte da sessão.
A primeira parte cumprindo o que habitualmente faz parte de uma aula de yoga, incluindo relaxamento, pranayamas, asanas e que finaliza com duas posturas dinâmicas e um exercício neuronal.
A segunda parte varia entre a construção falada e repentista de uma estória ou de mandalas.

A estória obedece a diferentes regras consoante o grau de dificuldade que o líder determinar e que deve ser fantástica, no sentido de integrar situações não habituais na nossa realidade do dia-a-dia, deve ter um fio condutor coerente e uma mensagem final.
Para a construção de mandalas são utilizados objetos coloridos elementos da natureza (flores, folhas, animais, conchas, frutos).
A sessão termina com relaxamento, de preferência com som de taças tibetanas e o canto de mantras sempre juntando mudras ou gestos coordenados com o ritmo do mantra.
Há também a obrigatoriedade de cada elemento levar uma mandala para pintar em casa, entre uma sessão e outra, que ajuda a aferir alguns aspetos da progressão de cada um face aos objetivos pretendidos.
Para além do cumprimento dos pressupostos o crescimento pessoal e a energia de grupo vivenciada durante o tempo continuado das sessões revelou-se de grande importância no meio em que cada elemento se insere na vida profissional, familiar e social assim como ao nível da independência, autonomia, superação e descoberta de qualidades e dons adormecidos.

(2ª PARTE)

PINTURA E CONSTRUÇÃO DE MANDALAS

Mandala é a palavra que em sânscrito significa símbolo circular, coroa, rotação e também oferenda e que representa geometricamente a relação dinâmica entre o Homem e o Cosmos. É um desenho de origem sagrada com um ponto central ao redor do qual há um desenvolvimento mais ou menos simétrico e ordenado.
Estes diagramas geométricos atuam como instrumentos rituais, de concentração, meditação e formas de expressão artística e religiosa. Desde as pinturas rupestres, passando pelas sociedades primitivas, arte indígena, arte sacra, na China, na cultura indiana, na tibetana, nos povos originários da América, na Austrália e até aos nossos dias, as mandalas estão presentes no nosso cotidiano, a natureza e a sua pintura ou construção assume funções e objetivos diferentes, mas sempre ligadas ao equilíbrio do Homem consigo próprio, com o Divino, com o Céu e a Terra.
Ao desenhar ou construir uma mandala o Homem representa o seu “abrigo interior onde se permite um reencontro com Deus”.
Os desenhos e a simbologia das mandalas variam consoante a origem mas a sua construção envolve sempre um exercício de meditação e contemplação ainda que seja lúdico o processo até ao resultado final.
Desde o princípio da humanidade o homem sentiu necessidade de se expressar. Dessa necessidade surgiu o desenho e, a partir dele, as mais variadas formas de arte.
Os nossos remotos antepassados viviam em contacto direto com a natureza e sobreviviam da caça e das colheitas. Quer a caça, a colheita e a sobrevivência humana, dependiam do sol sendo este reverenciado como divindade. A forma como o percebiam era o círculo sendo representado e projetado em danças e rituais.
A lua, entendida também como um círculo e velando pelo sono, era do mesmo modo divinizada.
Na tradição hinduísta a mandala representa a passagem do estado material ao espiritual, é um instrumento visual para a concentração e meditação na condução para a realização.
Na tradição budista as mandalas assumem e representam o aspeto material e ilusório e o conhecimento adquirido pelos iluminados. A sua fusão visa o Nirvana onde a mente pode atingir a tranquilidade suprema.
Na tradição tibetana a mandala deriva do conhecimento dos Lamas como representação do que é interno no homem e leva ao seu aperfeiçoamento trabalhando também a intemporalidade, a impermanência e a vacuidade.
Na Idade Média o círculo ganha um carácter místico e está presente em todas as igrejas quer na arquitetura quer em vitrais representando Deus como fonte da vida espiritual.
Já em meados do séc. XX, Carl Gustav Jung, psiquiatra e psicanalista, observa que alguns dos seus pacientes elaboram desenhos do centro para a periferia, que todos eles têm um significado e que os pacientes melhoravam e relaxavam com o uso desses desenhos. São quadros representativos ideais ou personificações ideais que se manifestam interpretando-as como símbolos da personalidade no processo terapêutico. Ao estudar estes desenhos na cultura oriental, como instrumento de culto e de meditação, descobre, também em si mesmo, o efeito de auto cura que exercem.
Defende Jung que as mandalas trabalham a psique ao expressarem os seus conteúdos internos, de uma forma espontânea e que cada um pode progredir no seu processo de individualização e auto conhecimento. Foi Jung que introduziu o conceito de mandala na psicologia analítica.

A introdução da pintura e construção de mandalas no Neuroyoga Criativo, foi imperativo face aos objetivos propostos, e ao que se conhece da sua origem, significado e efeitos quer na viagem interna, quer no processo de auto conhecimento e na reconecção com a nossa essência.
Ao longo do ano de trabalho foi possível verificar vários parâmetros nomeadamente:
1- Desenvolvimento da criatividade
2- Desenvolvimento da paciência
3- Aumento da autoestima e aceitação
4- Expansão da consciência
5- Permite uma meditação ativa
6- Aumenta a intuição
7- Promove a harmonia e a calma interna

Prof. Yoga Anabela Val-Flores

APTHI – Associação Portuguesa de Terapeutas Holísticos Integrativos

Fonte da imagem: pictss.com

Se gostou deste artigo partilhe com os seus amigos

Veja também