Artigos, Desenvolvimento pessoal

Vais assumir o compromisso com o teu Viver?

“Na rua, ouviam-se os gritos desejosos de partilhar com o Mundo a alegria de uma celebração, da celebração da Vida, efectuando-se os seus balanços, criando nas suas mentes listas de desejos, realizações, projectando novas metas, idealizando as mudanças há muito desejadas, esquecendo, por momentos, todo e qualquer problema por resolver, toda e qualquer vicissitude deste Viver!

Escutei os gritos e gritei, de igual modo, interiormente, enquanto tentava mastigar à pressa os meus desejos adocicados e celebrava a Vida e o meu Cuidar, visualizando o filme que passava na minha mente, qual sala de cinema totalmente vazia, onde eu era o único espectador, onde era o único que compreendia o argumento e onde participava como protagonista, deste grandioso filme, o meu Viver!

Renovei o significado deste viver, apurando todos os meus sentidos, sentindo a vibração em cada célula do meu corpo, que se tinham aprumado majestosamente para esta festa, onde se celebra a mudança intencional, porém muitas vezes não consciente e não alicerçada no genuíno Querer!
Fui cortando mentalmente partes do filme que assistia e guardei cada uma dessas partes cinematográficas, nos recantos do meu Ser, para analisar atentamente o que se passava naquele pedaço de tempo e que queria, neste momento mesmo que distante, compreender!
O meu coração foi à pressa encontrar um pedaço de papel em branco, encontrar uma caneta que, ao escrever, realizasse uma espécie de tatuagem para perpetuar o contrato, o compromisso entre o sentir e o pensar, entre o pensar e o agir!
Parei por instantes, pois um compromisso, seja ele qual for, é sempre algo muito importante, do qual não se pode ou deve desistir, nem sequer andar à procura das alíneas menos definidas, para justificar o nosso desistir ou as nossas artimanhas em querer enganar o nosso Viver!
Estando com a caneta na mão, mesmo sentindo um estanho tremor interior, comecei a rabiscar aquela folha de papel em branco, aquela espécie de pedaço de pele onde iria confirmar o meu Querer, onde iria assinalar os compromissos com o meu Viver e assinei, transferindo uma força descomunal para a caneta que, por momentos, quase rasgava a folha onde estava descrito o mais importante contrato para o meu Ser!
Estava o contrato assinado, de forma consciente, sem haver nada a fazer para o invalidar, não havendo forma de rasgar aquele pedaço de pele tatuado, aquela assinatura, cujas letras eram pedaços de mim e reli, em voz baixa, sussurrando ao meu coração e à minha mente, cada compromisso projectado, para que, se um dia tentasse desistir, fosse relembrado da sua importância e do seu significado para o meu Viver!
Comprometi-me a Viver com mais qualidade, permitindo o meu corpo descansar por mais tempo, não sendo de todo por motivos de preguiça ou pelo comodismo do ócio do tempo, mas sim para restabelecer a minha força muscular, descansar a minha estrutura óssea tão frágil, cerrar os olhos para proteger e restabelecer a minha Alma, para cuidar deste meu corpo, este templo que guarda a essência deste Ser!
Assinei um compromisso para mudanças ao nível dos hábitos de saúde, algumas irão exigir muito esforço e motivação, sendo um dos pontos do contrato que me assusta mais em cumprir!
Comprometi-me a Cuidar com mais excelência, de forma mais profunda, fortalecendo as relações terapêuticas, estando mais atento aos sinais subentendidos nas palavras não ditas e desenvolvendo os meus conhecimentos, estudando mais, investigando em áreas pouco conhecidas, criando e desenvolvendo projectos que irão contribuir para a melhoria da qualidade do meu Cuidar e para promover a qualidade de Vida daqueles que Cuido, daqueles com quem construo uma relação de empatia e cura!
Comprometi-me a Organizar as minhas prioridades, de forma mais consciente sem me deixar envolver pelas desculpas temporais, que vão adiando os Encontros, criando Desencontros e interferindo nas relações emocionais que constroem o meu Viver! Ao falar de desculpas, quero dizer que me comprometi a expressar genuinamente o sentido do meu aceitar, do meu recusar, em estar, aparecer e me relacionar!
Comprometi-me a Promover de forma mais profunda e projectada, a Escrita Terapêutica, batendo às portas que intuitivamente parecem ser as adequadas, escolhendo conscientemente em quais portas entreabertas quero entrar e aceitando, sem qualquer frustração ou rancor, as portas que não se irão abrir e que se irão fechar! Sim, Acredito na terapia que promovo e irei continuar a partilhar o seu potencial em todo e qualquer lugar, em todo o solo que esteja preparado para a semear e para poder apreciar a beleza de uma intensa e majestosa Colheita!
Comprometi-me a Escrever, o que sinto, o que sou, sabendo que, mesmo sem saber, poderei ser uma fonte de inspiração para quem me lê, originando mudanças, criando vibrações emocionais nos leitores, que bebem das minhas palavras, como um elixir de força e coragem para arriscarem a viver a sua jornada de descoberta e transformação!
Comprometi-me a Relacionar de forma mais adequada, sem deixar margens para qualquer dúvida sobre a relação emocional que constrói parte do meu viver, sem deixar pontas soltas que possam ser utilizadas para rodopiar emoções e sentimentos que não têm razão de ser, sem deixar nenhum recanto emocional por preencher, para não dar azo a uma decoração baseada na futilidade das emoções sem sentido e sem qualquer significado para o meu Viver!
Comprometi-me a Ser (sei que tantas vezes falo sobre o meu Ser!), genuíno com o meu Sentir, deixando de utilizar as diversas máscaras que facilitavam a aceitação alheia, que silenciavam as palavras que queriam ganhar voz, mas que eram amordaçadas pelo medo das reações causadas no Outro, que bloqueavam os sonhos e os meus ideais e que me impediam de representar o papel mais importante deste filme de Vida: o papel em ser Eu!
Comprometi-me a Sonhar cada vez mais, potenciando a minha capacidade em projectar conscientemente cada Sonho, cada Meta, cada Objetivo, estruturando cuidadosamente o percurso a percorrer, munindo-me das ferramentas adequadas para alicerçar cada sonho no mundo de uma realidade que, muitas vezes, tentará castrar a minha forma de caminhar!
Comprometi-me a Lutar com garra, não me deixando dominar pelos sintomas físicos e emocionais de uma doença que não me comanda, mas que consegui potenciar a minha visão do Mundo, a minha forma de lutar, recordando-me de todas as lutas travadas, onde mesmo caindo muitas vezes sem forças no chão, fui capaz de me reerguer e heroicamente lutar até vencer!
Sim, assinei cada um destes compromissos, sem qualquer data de expiração, sem nenhuma cronometração temporal, sem algum mapeamento espacial, sem os meros constrangimentos emocionais, que pudessem frustrar o meu Ser, por demorar (se assim se poder dizer!) a concretizar os objetivos do meu Ser!
No final do contrato, abaixo da minha assinatura meio tremida, mas perpetuada naquela folha de papel, escrevi o seguinte: “Não há qualquer pressa em Desenvolver, não há qualquer pressa em Crescer, existe sim, um compasso do Tempo tão único e tão intenso, que é a pauta onde, pausadamente, escrevo em tons suaves, a suave melodia do meu Viver!”
Ricardo Fonseca, 1 de Janeiro 2017
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