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O Outono e a dietoterapia energética segundo a Medicina Tradicional Chinesa

Entramos no Outono, por isso… Algumas reflexões…

Tantos são os artigos, os estudos, os livros, as dietas, que nos são apresentados e, algumas vezes, impingidos sobre dietoterapia e Nutrição, que hoje em dia, o conhecimento que temos sobre as naturezas, os sabores e os efeitos energéticos dos alimentos, é tão diminuto, pelo menos para a grande maioria das pessoas, que podemos afirmar que se soubéssemos utilizar a alimentação de forma racional e natural, isto é, atender aos efeitos nutritivos, mas também, às suas potencialidades energéticas de prevenir e curar doenças, conseguiríamos fortalecer o nosso corpo e, sem margem para muitas dúvidas, prolongar a nossa vida e com qualidade.

Com isto, não quero afirmar que na nossa sociedade, não se vive melhor. Não, isso não é verdade. Esta evolução, em constante renovação, trouxe consigo inúmeras vantagens para o ser humano. No entanto, a constante pressão a que somos sujeitos, quer no trabalho, quer na nossa vida social e familiar, elevou os níveis de ansiedade e angústia, a níveis preocupantes. Para a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a alimentação assume um papel fundamental na nossa vida: tão importante como o ar que respiramos, são os alimentos que ingerimos. Pois, em conjunto, são as fontes de aquisição/renovação de Qi mais importantes que temos. Os mestres da Medicina Tradicional Chinesa afirmam, que a “ arte de cura através dos alimentos é tão antiga, como a própria humanidade. Logo, merece-nos o máximo de respeito, ou pelo menos, alguma curiosidade.

Mas como é que poderemos definir a dietoterapia energética, segundo a MTC? A dietoterapia energética, segundo a MTC, consiste no uso dos alimentos com fins terapêuticos, os quais incluem o cuidado do corpo, a conservação da saúde e, certamente, a prevenção de doenças. Muitas são as vantagens e os seus efeitos secundários, de tão mínimos que são, que me atrevo a dizer, são inexistentes. No entanto, o equilíbrio é fundamental, para não entrarmos em fanatismos “alimentares” e em campanhas de milagrosas receitas para termos uma boa alimentação. Haja bom senso e espírito crítico construtivo.

Pois bem, como sabemos é da natureza do ser humano, e necessário à sua própria natureza, o alimentar-se para viver, repor as suas forças e energias. E nada melhor que utilizar aquilo que a natureza, tão amável e gratuitamente, muitas vezes, nos dá: os alimentos.

 

Para a dietoterapia energética, segundo a MTC, o ser humano deverá ter em conta, aquando da escolha da sua alimentação, fatores tais como: a sua constituição física, a estação do ano, o seu estado emocional, o local onde habita e seus fatores climatéricos específicos, a sua idade, claro está, acrescentando as suas necessidades de proteínas, nutrientes essenciais, vitaminas e demais componentes essenciais ao bom funcionamento do nosso organismo. Numa visão holística, poderemos afirmar que tudo o que somos influencia o que deveremos ingerir e tudo o que ingerimos, influencia o que somos, na totalidade que é o ser humano: corpo, mente e espírito.

Passado que está o Verão, o Outono apareceu cheio de boas intenções: é tempo de armazenar e não gastar a energia essencial, para que novamente se possa crescer e abundar. É a hora de realizar as colheitas e guardar para o Inverno.

Para a MTC, começa a estação do elemento Metal. A energia que reina é a do recolhimento, do armazenar, do calor humano em volta da lareira… é tempo de acalmar e levar a energia para dentro, é estação da introspeção e meditação, de reciclar sentimentos antigos e libertar-se dos excessos emocionais acumulados no verão.

Ora bem, segundo a MTC, o que deveremos fazer para prevenir e curar as desarmonias próprias desta estação? Que “gestão alimentar” devemos fazer, para que a nossa passagem pelo Outono, seja realmente, uma estrada que nos leva a ter uma boa saúde? Ao contrário da Nutrição ocidental, a dietoterapia segundo a MTC, não está preocupada exclusivamente com as necessidades fisiológicas do nosso organismo, mas sim com toda a variedade de fatores que podem e influenciam a nossa saúde. Nós somos Jing, Qi e Shen, isto é, físico, energia e espirito.

No Outono, estação do elemento Metal, o sabor correspondente é o Picante e a cor é o branco. Sabemos da MTC, que cada sabor, em quantidade moderada tonifica um órgão e uma víscera, em concreto, mas em excesso, vai agredi-lo. O sabor picante “já está no ar”, logo deveremos ter cuidado para não cairmos no exagero, sobretudo nos alimentos picantes e de natureza quente, normalmente, associados a especiarias mais fortes.

O outono é a época do ano em que começamos a recolher, pois o nosso instinto de sobrevivência está bem alerta.

Temos que reforçar a nossa energia defensiva, Wei Qi, que é regida pelos Pulmões, que, por sua vez, estão mais vulneráveis a ataques de fatores patogénicos externos. Por isso, sem querer ser demasiado exaustivo, mas também, demasiado vago, começarei por dizer que os alimentos de cor branca, tais como, cebola, alho, nabo, pêras, couve-flor, raiz de aipo, gengibre fresco, arroz, aveia, castanha, cevada, são dos mais importantes. Recomenda-se alimentos de natureza (energia) neutra e morna e de sabor amargo, salgado, sem deixar de ter algum picante. Na dietoterapia energética, segundo a MTC, o sabor doce deve estar sempre, pois representa o centro. No entanto, deveremos ter cuidado.

Para que o leitor possa ter uma lista mais ou menos capaz de ser útil na elaboração das suas receitas, apresentamos uma série de alimentos, que consideramos, essenciais neste Outono: alho francês, alecrim, coentros, gengibre fresco, hortelã, salva, cebolinho, cebola, canela, vinho tinto, arroz integral, peixe de carne branca, cenoura, papaia, nabo, aveia, batata doce, coelho, orégãos, tomilho, mostarda, alperce, damasco, castanha, maça ácida, pera, uvas, azeitonas, truta, alho, entre outros.

Claro está, que somente com estes alimentos a nossa dieta diária ficaria bastante desequilibrada. Será necessário que o leitor entenda que a nossa alimentação, segundo os princípios que regem a MTC, deve incluir nas suas ementas diárias, alimentos dos cinco elementos, pois só assim encontraremos o equilíbrio vital para a nossa saúde e bem-estar.

Para terminarmos, pois já vai longo este texto, resta-nos recordar que o homem faz parte da natureza, é como que um microcosmos dentro do macrocosmo que é a natureza. E, por isso, a sua saúde e bem-estar dependem da adaptação dos seus próprios ciclos, hábitos de vida, alimentos, forma de se vestir, aos padrões que a própria Mãe Natureza nos fornece.

A nossa melhor farmácia será a cozinha e os nossos melhores medicamentos, os alimentos. Logo, os melhores “médicos”, nós próprios, se soubermos fazer a escolha certa. Bom Outono e boas escolhas alimentares… E lembrem-se: façam dos alimentos os seus medicamentos…

Nuno Pacheco

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