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Oh Deus onde moras?

Como é difícil entender-me com a vida. Eu componho ela estraga, eu proponho ela desacorda, eu tento entende-la ela dificulta…jamais conseguirei.

Esta vida que me ameaça e me trai, que me obriga a erguer para depois voltar a derrubar-me, parece ter uma infinita vontade de me por à prova, desvendando a sua cruel intolerância, desafiando-me a coragem, impondo-me resignação e o silêncio a que esta conduz. É aterrador. Faz medo. Assim não há coragem que chegue! Jamais o conseguirei. Podia ser tudo tão simples…fácil…rápido, mas não é. No limite até pode ser sim, assim o queiramos. Quero tanto estar em paz, definitivamente em paz. Já me aborrecem os medos, as incertezas; aborrece-me ouvir o que oiço e pensar no que não oiço…que canseira!

Queria tanto entender esta verdade da vida, senti-la, aceitar o despudor com que nos desafia…me desafia! Tudo isto me abisma até à fadiga.

Oh Deus onde moras?

Afasta de mim ao menos os incrédulos, os falsos, os cínicos aqueles que não sabem o que é a vida e mostra-lhes como ela por vezes é cruelmente sagaz, como me mostraste a mim para que a tempo entendam o quanto são pequenos, frágeis e desprezíveis e, deixai-me sonhar… sonhar…sonhar sem nunca perder a razão. Deixa-me viver imensamente cada minuto, cada hora, cada dia. Deixa-me a cada instante ser…estar… deixa-me!

Vitor Vicino Lopes
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