Artigos, Desenvolvimento pessoal

Pequenos Passos para aprenderes a amar-te

Pequenos Passos para aprenderes a amar-te

Certo dia, ouvi dizer que “o único amor que é verdadeiramente eterno é o amor por nós próprios”. E faz todo o sentido. Construir uma relação de amor incondicional com o nosso eu é construir uma relação para a vida, uma relação que será a nossa base e o nosso sustento.

Hoje em dia, mais do que nunca, faz todo o sentido falar em amor-próprio. Numa sociedade tão voltada para fora, para o que é aparente e efémero, são cada vez mais as pessoas que perdem a ligação com o seu eu interior, esquecem-se desse amor incondicional que vem de dentro, perdem-se nas relações externas, procurando afecto e amor fora de si quando o verdadeiro afecto e o verdadeiro amor estão cá dentro, na nossa alma. Estabelecermos uma relação de amor com nós mesmos é traçar um caminho de luz, um caminho com bases sólidas, sem lugar para medos ou inseguranças. Mas como construir esse amor-próprio? Como voltar ao início e reconhecermo-nos como a pessoa mais importante da nossa vida?

Em primeiro lugar, tens de te voltar para dentro. As verdadeiras mudanças e as verdadeiras relações devem ser trabalhadas de dentro para fora. E, para que tal aconteça, deves mergulhar no teu interior, na tua alma, sem medo. Não é um trabalho fácil. Porque olhar para dentro dói. Remexer nas gavetas que temos fechadas causa sofrimento. Mas é necessário fazer essa introspecção. É necessário fazer esse reconhecimento interior. Só olhando para aquilo que temos cá dentro, só percebendo os nossos sentimentos, as nossas dores, os nossos sonhos, a nossa essência, é que podemos conhecer-nos de verdade. E só conhecendo-nos de verdade é que podemos reconhecer-nos como seres divinos capazes de tudo. Só conhecendo-nos de verdade é que podemos amar-nos, tal e qual como somos.

Neste processo de olhar para dentro, há dores que vêm ao de cima. São dores provocadas por erros, por decisões menos acertadas, por momentos menos bons. Em muitos casos, perpetuamos uma culpa dentro de nós por todas essas dores, por tudo o que não correu bem. É aqui que entra o perdão. Aprende a perdoar-te. É um trabalho difícil, que te vai custar muitas lágrimas, muitos silêncios, muita reflexão. Já passei por isso e é tão difícil livrarmo-nos da culpa, uma culpa que nem sequer é real, que é mais uma crença da nossa mente e do nosso ego para nos manter aprisionados e alienados. Perdoa-te. Aceita que fizeste o melhor que podias e sabias naquele momento. E liberta essa culpa que ocupa demasiado espaço dentro de ti. Quando nos perdoamos, automaticamente sentimos uma leveza gigante que nos faz serenar e olhar para nós com mais carinho e tolerância.

Em todo este processo de redescoberta, há uma ferramenta bastante útil e eficaz que é a utilização de afirmações positivas no nosso dia-a-dia. Adquire o hábito de, todas as manhãs, olhares no espelho, no fundo dos teus olhos, e dizeres, como todo o coração: eu amo-me, eu amo-me de verdade. Parece simples, mas nem sempre é, principalmente nas primeiras vezes. Estamos tão desabituados a sentir amor por nós, que dizer que nos amamos, em voz alta, é estranho e até perturbador. Mas não desistas. Continua a dizer que te amas, em frente ao espelho, e várias vezes durante o dia. Diz que te amas, que és capaz, que és maravilhosa(o), que consegues tudo aquilo que queres. Sente estas afirmações fazerem eco dentro de ti. De tanto as repetires e sentires, elas tornar-se-ão numa realidade, uma realidade que já existia mas que estava encoberta pelo véu denso das falsas crenças destrutivas.

Um outro passo para trabalhares o teu amor-próprio é fazer aquilo que te faz feliz. Com a correria dos dias, esquecemo-nos de guardar tempo para nós, para fazer aquilo de que tanto gostamos. E se não dispusermos desse tempo, a vida entra em piloto-automático, os dias amontoam-se e a rotina vai-nos corroendo e quando damos por isso já estamos mergulhados num tal desgaste emocional que, daí a ficarmos doentes, é um pequeno passo. Uma vez mais, posso falar da minha própria experiência. Antes de ficar doente, nunca tinha tempo para nada. Privava-me de fazer aquilo de que gostava, porque não tinha tempo. Aguentava horas e horas de trabalho a contragosto. Deixei de escrever e de fazer artesanato, algo de que tanto gostava, porque achava que era uma perda de tempo. Deixei de estar com pessoas porque não tinha tempo. Sempre a mesma ladainha do tempo. E, quando dei por isso, tinha já uma doença atracada a mim. E foi aí que percebi que tinha de redefinir as minhas prioridades. E agora não deixo de fazer aquilo de que gosto. E tenho tempo para tudo. Por isso, digo-te: não percas tempo a pensar que não tens tempo. Faz aquilo que gostas, não te prives disso. Porque quando fazemos aquilo que gostamos, nem que seja um simples passeio à beira-mar ou uma aula de Yoga, a nossa alma rejubila, sentimo-nos bem, em sintonia com o nosso eu. E passamos a gostar ainda mais do nós, porque nos permitimos ter esses pequenos grandes momentos de prazer.

Para que possas trabalhar todos estes passos, há algo que é fundamental e transversal: a meditação. Meditar é essencial para iniciar este caminho de descoberta e de amor para com o nosso ser. Só silenciando a mente é que conseguimos escutar o nosso coração. E é nesse coração que reside a nossa essência e a nossa verdade. Através da meditação, entramos em contacto com essa essência que nos define e percebemos o quanto somos belos, o quanto valemos a pena, o quanto somos capazes. Através da meditação, elevamo-nos a um nível de energia superior que nos faz regressar à base de tudo: o nosso primeiro e grande amor – o amor por nós próprios. Durante as tuas meditações, entrega-te ao teu eu interior, faz as pazes com ele, imagina que reencontras a criança que foste um dia, dá-lhe um grande abraço, perdoa-lhe todas as falhas e todos os erros, diz-lhe o quanto a amas, o quanto te amas. E segue adiante, de mãos dadas contigo mesmo, fortalecendo esse laço de amor-eterno todos os dias.

Construir uma relação de amor com nós próprios é um desafio grande. Mas é a base de tudo. Enquanto não nos amarmos de verdade, não iremos conseguir amar outra pessoa de verdade. Até podemos tentar, mas não vai dar certo. Enquanto não nos amarmos de verdade, vamos andar sempre à procura de algo ou de alguém que possa suprir e preencher os nossos vazios e dar respostas aos nossos dilemas.

Olha para ti, reconhece-te, aceita-te, perdoa-te, redescobre a tua verdade, liberta-te dos medos…e aprende a amar-te. Tu mereces, mereces muito esse amor que não tem tamanho nem fim: o amor por ti próprio.

Fonte imagem: http://www.oprah.com/spirit/how-to-love-yourself-unconditionally-deepak-chopra-advice

 

Se gostou deste artigo partilhe com os seus amigos

Veja também