O poder único que reside em cada um de nós. O Poder de mudarmos. De nos mudarmos.

Por aqui e por ali vão surgindo propostas tentadoras de mudarmos a nossa vida.

É-nos dito que uma conversa tem o poder de mudar a nossa vida, que uma terapia vai nos reconectar a algo que estamos desconectados, que alguém vai fazer por nós, que a partir daquele momento tudo vai encaixar e nós vamos perceber tudo…por aqui e por ali vão surgindo convites a mantermos a nossa desresponsabilização, o nosso alheamento ao poder único que reside em cada um de nós. o Poder de mudarmos. De nos mudarmos.

 

Sem esforço, pois estamos cansados.

O mais rápido possível pois o tempo é escasso e gasto em tudo o resto que é sempre mais importante que nós.

Somos tão egocêntricos que acreditamos que só nós podemos fazer todas essas coisas e que se não nos pré-ocuparmos com tudo, nada resultará porque afinal de contas somos o centro do nosso mundo e sem nós tudo desabará…

Vamos assim saltitando, em permanente ansiedade intercalada com depressão, na busca de um milagre que venha resolver num passo de magia a nossa vida.

Sejamos honestos e muito politicamente incorrectos.Na verdade queremos adormecer uma noite como somos e acordar no dia seguinte como queremos ser. Queremos que a nossa vida mude sem nós mudarmos nada. Queremos continuar a fazer tudo igual e obter resultados diferentes, queremos seguir os mesmos caminhos de sempre e chegar a outro lugar, queremos manter tudo aquilo que nos faz infelizes e sermos felizes.

Andamos congelados nos nossos medos, rígidos nas nossas crenças, apegados ao conforto desconfortável daquilo que conhecemos e não gostamos mas que mantemos porque é tudo o que conhecemos.

Buscamos incessantemente algo ou alguém que nos ajude, que nos ame, que nos salve…algo ou alguém que faça o caminho por nós, que nos dê o que queremos, o que exigimos, o que necessitamos…
Sem sacrifício. Sem o nosso sacrifício.

Sacrifício? Nesta altura estarás a pensar…sacrifício????

Sim. Sacrifício. Ai as palavras, as palavras e os seus significados…os conceitos que povoam as nossas vidas e que se constroem nos lugares comuns entretanto difundidos por enganos sucessivos e não na verdadeira origem etimológica da palavra…palavras e conceitos que nunca questionamos, aceitamos, registamos e usamos, (a)gravando-os em nós.

Do latim sacrificium, composto de sacer e ficium. Sacrifico significa exactamente o “acto de fazer/manifestar o sagrado”- ou seja, o “acto de passar da esfera do profano para a esfera do sagrado”.
Na língua portuguesa a palavra tem o sentido de “privação, voluntária ou forçada, de um bem ou de um direito”. Este significado constitui uma redução do campo semântico original do vocábulo, acima referido, de que se manteve apenas a referência à prática, nos ritos, de oferecer-se um bem a uma divindade, com vistas à obtenção de alguma dádiva.

Sacrificares-te é exactamente passares da esfera do profano para a esfera do sagrado, é passares do exterior para o interior.

É tornares-te sagrado.
É conheceres-te e aceitares-te profundamente para então poderes trabalhar-te como uma obra de arte que se vai esculpindo, desenhando, pintando, escrevendo…vivendo.
Ao tornares-te sagrado, tornas-te centrado. Centrado com a tua essência. Ao tornares-te sagrado, encontras em ti todo o amor que buscas e tornas-te capaz de te dares esse amor…E tornas-te capaz de escolher conscientemente. Capaz de assumir a responsabilidade pela tua vida. Capaz de amar. Capaz de viver.

O poder de escolha sobre a nossa vida mental, emocional e espiritual é a maior capacidade que temos. Enquanto continuarmos a concentrar o nosso foco de atenção nas situações externas das nossas vidas, a qualidade das nossas experiências continuará sempre a mesma. Não podemos escolher as circunstâncias que nos rodeiam? Podemos. De facto a maioria dessas circunstâncias são fruto de uma escolha que fizemos…porque até quando nos recusamos a escolher já estamos a efectivar uma escolha. A escolha de não escolher, de não agir, de não fazer.

Mas tudo começa pela decisão de fazer novas escolhas em relação às nossas emoções, às nossas atitudes e aos nossos pensamentos. Essa escolha é que determina tudo o resto, é que abre as possibilidades e os horizontes.

Nesta arena, somos muito mais poderosos do que pensamos. De facto, estamos constantemente a fugir do verdadeiro poder que temos e através do qual nos manifestamos no mundo…o poder de escolhermos os nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Mas essa liberdade de escolha traz responsabilidade. E nós fugimos. É mais prático e confortável culpar o outro, o mundo, a sociedade…

Assumir a responsabilidade é tornarmos-nos donos e senhores das nossas vidas…e depois não restará ninguém para culpar a não ser nós mesmos, acabam-se as desculpas que nos ajudam a manter tudo como está…Mas responsabilidade não significa culpa.

Significa a capacidade de agir. Capacidade de aprender. Olhando para as escolhas e mudanças interiores, na arena do nosso Eu, percebemos uma capacidade, frequentemente ignorada, de escolher as nossas reacções a tudo e a todos. Mais, de definirmos as nossas acções em consciência, alinhadas com o sagrado em nós. Deixamos de ser marionetas esventradas pelos pensamentos e sentimentos e recalcadas pelas emoções.

Ao fazermos escolhas conscientes sobre o que pensamos, e como sentimos, podemos alterar totalmente a qualidade da nossa vida. Porque a partir do momento que aceitamos ter esse poder, começamos a perceber de onde vêm esses pensamentos, se são nossos ou se foram aprendidos, se nos servem ou se os podemos deitar fora, e de que forma o podemos fazer. Começamos a questionar tudo aquilo que até agora sempre tomámos como sendo assim.

Afinal, os pensamentos estão dentro de nós. Os sentimentos são a expressão de um pensamento (e por isso sentimos como sentimos) e as emoções são instintivas, estas sim quantas vezes reprimidas e assim catalisadas em ira, sofrimento e doenças somatizadas pelo corpo.

Sacrifício significa “tornar sagrado”. Não podes tornar sagrado algo que não conheces e não aceitas.
Torna-te sagrado em e perante ti mesmo.

Provavelmente já sabes que para seres verdadeiramente, para seres tudo o que estás cá para ser, terás que te “sacrificar” …

Cristina Fernandes

Hipnoterapia
Terapia Regressiva
Terapia Transpessoal

“O primeiro passo para chegar a algum lado é decidido quando escolhes sair de onde estás.”

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Cristina Fernandes
cristinafernandes@luanova.pt

Hipnoterapeuta, terapeuta transpessoal, formadora e palestrante, com formação superior em Comunicação e pós-graduação em Psicologia Cognitivo-Comportamental e Hipnoterapia, curso de Psicologia Junguiana pelo Núcleo Português de Estudos Junguianos.



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