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Prometi a mim mesmo que não me iria magoar

“Prometi a mim mesmo que não me iria magoar, mas magoei com as escolhas erradas, com as decisões apressadas e originadas pelos impulsos emocionais, que não permitiram ao meu ser escutar a voz da razão! Magoei o meu ser de tal forma que as cicatrizes são profundas e a sua cicatrização é um processo demorado, sem que o amor consiga cumprir o seu papel regenerativo!

 

Prometi a mim mesmo que não me iria perder, mas perdi o meu rumo, não consegui descobrir o caminho que estava escondido na neblina da dúvida, do medo e da desconfiança na minha capacidade de orientação! Perdi o norte, os ponteiros da bússola emocional deixaram de funcionar corretamente e eu deparei-me perdido, a calcorrear o meu percurso às cegas, tropeçando nos obstáculos, não conseguindo contemplar as placas que orientavam o meu caminhar.

Prometi a mim mesmo que iria cuidar de mim, mas não cuidei de forma adequada, não geri as minhas emoções e permiti a criação de um novelo tão complexo, que só uma mente livre e um coração consciente seriam capazes de desfiar! Não cuidei de mim, esqueci o meu corpo e fingi não escutar os seus apelos, para que cuidasse deste meu templo, desta estrutura que me permite viver!

Prometi a mim mesmo que iria viver, porém apenas fui sobrevivendo, ultrapassando obstáculos que surgiam espontaneamente na minha vida, de forma súbita e descontrolada! Sobrevivi a cada batalha, com mazelas que hoje doem, que hoje me fazem recordar as guerras que iniciei e aquelas para as quais fui desafiado e que aceitei sem escutar a estratégia emocional da minha alma!

Prometi a mim mesmo perdoar o meu ser, quem me magoou e pedir perdão a quem magoei, porém em tantos processos de perdão dei por mim a desculpar, a não esquecer e sei que dessa forma de facto não perdoei, apenas desculpei! Hoje, esses processos emergem na minha pele para me ajudar a recordar que ainda tenho que perdoar e ser perdoado!

 

Prometi que me ia amar, mas apenas fui gostando de quem Sou, observando com mais pormenor os defeitos do que as qualidades e enraizando em mim um sentido de autocrítica, que tão forte que era, atacou e aprisionou a minha autoestima! Deixei de gostar de mim, de acreditar em mim, de aceitar quem sou!
Prometi a mim mesmo sonhar e lutar pelos meus sonhos, mas adiei tantos objetivos devido ao cansaço originado por lutas inglórias ou tão-somente desisti dos sonhos, construindo a ideia de que afinal até não queria assim tanto aqueles sonhos, para assim ser mais fácil desistir!

Prometi a mim mesmo continuar a construir, a edificar projetos, mas dei por mim refastelado no sofá da inércia, habitando no lar do comodismo e a dançar com o ócio dos dias, não o que me permitia descansar, mas sim com aquele que me permitia deixar de projetar, de envolver e criar!

Prometi a mim mesmo mergulhar em mim, redescobrir a minha essência para reencontrar a minha criança interior que precisa de tantos cuidados, mas dei por mim a naufragar nas ondas da descoberta e revelação, a afundar nas minhas emoções sem qualquer interesse em aprender a nadar! Afundava e ficava preso nas algas da dúvida e da dor, sem que quisesse instintivamente forçar o meu ser à libertar-se, para assim em vão não sentir mais dor.

Prometi a mim mesmo escutar o tempo, perceber o ritmo dos ponteiros da vida de modo a que assim fosse possível coordenar a minha vida, mas perdi a noção temporal do meu ritmo e não quis acertar os ponteiros do relógio da vida. O tempo, aquela medida controladora, começou assim a governar uma vida que se tinha perdido na linha temporal do viver!

Prometi a mim mesmo parar, para me escutar e compreender, mas não parei, não quis escutar, não quis contemplar e apenas queria caminhar sem destino ou motivado por estímulos sem qualquer sentido. Hoje parei e escutei um pouco de mim, escutei o choro da minha alma e chorei!

Prometi tanto a mim mesmo e neste momento, neste tempo que estou a aprender a domesticar, dei espaço a mim mesmo para sentir, para escutar a vibração de cada emoção, para escutar os conselhos da razão e hoje, prometi a mim mesmo Estar e Ser neste exato momento, estando comigo e em mim mesmo, para assim poder continuar a caminhar e a Viver!

Prometi a mim mesmo e hoje sei que estou a cumprir essa promessa que me faz sorrir, confiar e transformar!”

Ricardo Fonseca, 2016

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