Artigos

Como escapar ao confronto com as nossas emoções?

Fonte de Caos ….

Existem muitas formas de raiva, mas vou simplificar dizendo que ela é dirigida ao interior, a nós próprios, ou ao exterior, às pessoas que nos rodeiam, à sociedade, à politica, à autoridade, à religião, ao dinheiro, enfim, a tudo que existe fora de nós.

A Raiva por nós próprios, pelo que temos ou não consciência, cria uma prisão interna que impede o chakra cardíaco de abrir mantendo-nos em desequilíbrio e sofrimento, que pode tomar muitas formas na nossa vida seja pelos fracassos, pelos acidentes, pelas perdas ou doenças. Na Psicologia, há quem lhe chame a pulsão da morte.

A mente/ego, e as suas sub-personalidades, tem inúmeras formas de escapismo para que esta energia passe despercebida. Ela torna-se tão subtil que a pessoa não percebe que as situações desastrosas da sua vida estão relacionadas com esta energia, fazendo com que sinta vítima dos acasos da vida, das outras pessoas e das situações, quando na realidade está a minar a sua energia criativa e não é capaz de transformar a sua realidade.

A raiva e o ressentimento são as formas que encontramos de escapar ao confronto com as nossas emoções – aquelas que foram negadas nalgum ponto da nossa vida e que permanecem alojadas no corpo físico, emocional, mental, energético e espiritual. Quando os corpos considerados de energia não conseguem mais conter esta energia, ela materializa-se no corpo da pessoa.

Quem é que quer estar face a face com as emoções perturbadoras que o habitam? Ninguém. Na realidade, temos todo um sistema de defesa integrado por nós mesmos, um sistema que cria as ilusões, os medos e as inseguranças que nos impedem de aprofundar estas questões emocionais. Mas é preciso ter a coragem de entrar e estar frente a frente com essas emoções, com essa raiva, com esses ressentimentos. É preciso dar espaço à catarse.

É preciso compreender a estrutura de fuga para não sentir o sofrimento, a raiva e as emoções escondidas. É necessário ter disposição de ir mais além, para encontrarmos isso dentro de nós, porque só assim elas vão sentir-se livres para sair. É preciso soltar as couraças que estão a encobrir a verdade e que impedem o amor de manifestar-se.

Todos gostaríamos de um terapeuta que nos limpasse isso, de um Guru que ficasse com as nossas dores, que os Anjos apagassem essas memórias. Enfim, todos gostariamos de uma formula mágica. Na verdade, o que queríamos mesmo era que desaparecessem. No entanto, todos os dias criamos mecanismos de fuga para não entrar em contacto com essas emoções. Todos os dias criamos situações para não sentir, para não exprimir, para não dizer a verdade e para não ser amor.

O Amor dá sustentação à vida, à criatividade, aos dons e talentos individuais. Traz-nos uma sensação de pertencer e ser. Sentimos-nos encaixados em todos os lugares, o coração está aberto e em empatia e compaixão por tudo que nos rodeia.

 

Não estando neste estado, a personalidade está a gerar apenas estados de negação de si mesma, a negar o fluxo de amor. E ainda mantém os seus compromissos com a dor, o sofrimento e a guerra, carregando dentro de si feridas profundas, o que inevitavelmente a leva a sentir raiva e a usar essa emoção para se vitimizar e culpar quem a rodeia. Vai culpar o mundo dos seus fracassos sem querer perceber que é a própria fonte do Caos.

Na realidade, esta raiva tem um papel. Ela é um mecanismo de defesa contra a dor. Perante qualquer situação existe uma ação e/ou reacção, e a raiva é a forma como o “eu” em sofrimento se protege da dor de sentir ou de reagir a algo. Mas a um nível mais profundo é a raiva que nos impede de caminharmos na direcção da Cura.

Aquele que acha que se libertou da raiva, mas não fez um trabalho de auto-observação de si mesmo, na realidade está alimentar a fonte do próprio sofrimento. E a prova de que não se libertou da raiva está na sua vida, nos sintomas, no caos.

Todos temos um eu idealizado, e existem inúmeros fontes que dão sustentação a essa personagem idealizada, que acha que atingiu um estado onde na verdade ainda não tem a capacidade de estar. Caiu nas armadilhas do orgulho e/ou da arrogância que se apropriaram de si. Mas a fonte do caos depressa traz uma experiência que nos mostra onde estamos realmente.

As maiores armadilhas deste caminho, nesta fase da evolução, estão no caminho espiritual, porque temos tendência para criar esse “eu” idealizado, uma maturidade que não existe, uma transferência do ego pessoal para o ego espiritual exactamente com as mesmas ilusões e feridas.
Porém, a energia é que comanda a vida. A verdade vai mostrar-se e seremos obrigados a depararmo-nos com a realidade. A nossa Alma vai trazer-nos experiências e pessoas que mostram o quanto ainda carregamos de raiva e de desamor por nós mesmo e pela vida.

E está tudo certo. Afinal, como iremos nós aprender, como iremos nós despertar deste sono ilusório? Cada um de nós tem um ritmo determinado pelo seu programa individual – aquele que criou para si mesmo. Para se desprogramar tem de ser honesto consigo, tem de querer ver a verdade em todas as coisas. Tem de enfrentar a realidade que se apresenta em cada momento e ter muita firmeza para prosseguir no caminho da sua auto-cura, movendo assim na direção do amor.

Como é fazemos isto ? Tomando consciência de quem somos no presente, libertando-nos do passado. Para libertar o passado, temos de olhá-lo de frente e compreendê-lo sem que reste raiva ou qualquer emoção que não seja a do perdão, do amor e da gratidão pela experiência vivida.

Tudo tem seu tempo. Precisamos de aprender a alinhar-nos com a forma como usamos o tempo, o foco do processo interior de auto-observação, aprender a gerir o processo interior e para onde precisa ir .

A partir de hoje podemos até decidir dedicar-nos a sentir e observar a raiva, a inveja, a mentira, a insegurança, a carência. Se fizermos disso uma batalha de controlo, estaremos apenas a alimentar a guerra, porque a escuridão irá mostrar a sua força e sairemos derrotados. Isto porque estas energias/emoções não existem para serem derrotadas, elas existem para termos uma maior compreensão de nós mesmos. Quando abrimos o coração, o amor expressa-se e permite trazer luz a todas essas partes de nós mesmos.

O caminho é remover as capas de raiva e ódio por nós mesmos que encobrem o coração. Para isso, temos de harmonizar-nos com a nossa história individual, com o passado, com a família. E não existe uma fórmula que possa forçar este processo.

Nos momentos de silêncio interior, devemos pedir em consciência para ver a verdade que mantém nosso coração fechado. Sem conflitos e confrontos, ver a responsabilidade nos desequilíbrios gerados, e libertar as feridas da vaidade, arrogância e orgulho que ofuscam essa visão. Pedir ao coração que nos revele o que está escondido é talvez o maior acto de coragem da nossa vida na direção de nós mesmos e do amor. Fazendo isso em cada momento, caminhamos na direção da verdadeira liberdade e alegria de viver. Vai haver muitas oscilações pelo caminho, mas continue.

Este artigo vem no seguimento de uma série de artigos que falam sobre as matrizes emocionais e as emoções, que são um grande apoio para compreendermos de forma mais profunda todo o processo.
Desejo-Vos um dia maravilhoso!

Recomendo muita compaixão e amor por Vós neste processo. Lembrem-se todos que aqueles com quem se cruzam têm dentro de si tanto ou mais sofrimento que Vós. Expandam essa compaixão e amor aos demais como exercício de expansão do amor.

Com Amor,
Ana Tavares

Se gostou deste artigo partilhe com os seus amigos

Veja também