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Sobre o Ego… e outras questões

Sobre o Ego… e outras questões
Somos muito mais do que aquilo que pensamos, vemos, sentimos…

O nosso Eu mais primário, o nosso ID é formado pelas pulsões – instintos, impulsos orgânicos e desejos inconscientes. Funciona segundo o princípio busca de prazer/fuga à dor.
O id não faz planos, não espera, busca uma solução imediata para as tensões, não aceita frustrações e não conhece inibição. Ele não tem contato com a realidade, e desconhece juízo, lógica, valores, ética ou moral, sendo exigente, impulsivo, cego, irracional, antissocial, egoísta e dirigido ao prazer.
O nosso superego forma-se através da aprendizagem das regras sociais, de tudo o que tivemos de moldar para recebermos amor e afecto, a interiorização dos valores, a interpretação que damos ao que nos é exigido, é o nosso policia interior, o juiz que julga não só as ações praticadas, mas também os pensamentos; regendo-se muitas vezes por um pensamento dualista (tudo ou nada, certo ou errado, sem meio-termo) e muita rigidez.

O nosso Ego…aquele que tantos querem matar, é o que nos salva. O ego desenvolve-se a partir do Id com o objetivo de permitir a eficiência dos seus impulsos, tendo em consideração o mundo externo…é ele que regula, que equilibra, que negoceia. É o chamado princípio da realidade. É esse princípio que introduz a razão, o planeamento e a espera no comportamento humano. A satisfação das pulsões (ID) é retardada até o momento em que a realidade (Superego) permita satisfazê-las com um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas.

A principal função do Ego é buscar essa harmonização entre os desejos do Id e a realidade do Superego. É urgente ter um ego saudável e tornado cada vez mais consciente para que possamos evoluir enquanto seres humanos. É a falta de Ego, ou as fracturas ao nível do Ego, que provocam os maiores desiquilíbrios e em última instância, as doenças de foro psicológico.
Sem regulação somos um de dois extremos: regidos apenas pelos nossos impulsos básicos, desejos, e vontades sem qualquer noção do outro, do mundo, da ética, do sentimento para lá da emoção bruta; ou então cerceados pela nossa voz interna, presos pelos nossos medos, sujeitos á validação exterior, rígidos nos nossos parâmetros, maquinizados, atemorizados, escravizados pelo exterior, desconectados de nós mesmos. Podemos até ser ambos, e ser devastados constantemente por um conflito interno que se manifesta numa incoerência de reações e atitudes expressas no concreto.

Esta dinâmica inconsciente revela-se até no desconforto do sentir. Sentimos. E como sentimos logo o nosso EU mais instintivo vem, o Id, de armas em riste, tratar de lutar. Lutar por aquilo que quer, lutar para ter – não no tempo que é o devido mas sim, já, agora, ontem se possível.
Ou então fugir. Recusar. Destruir. Somos exímios nestas duas artes quando toca ao sentir. Luta ou fuga denotam sempre a presença de um Id que se sente ameaçado.

Lutamos sempre que tentamos distorcer a realidade. Fugimos sempre que escolhemos não observar essa realidade.
Raramente simplesmente estamos. Estar no sentir. Flutuar nesse sentir…como quando flutuamos no vasto mar. Simplesmente estar e ser no sentir, nessa imensidão sem princípio nem fim…estar no sentir sentindo. Sem lutar. Sem fugir. Estar. Ser. Aceitar. Libertar. Observar.

Pode ser uma situação. Pode ser uma pessoa. Podem ser ambas ou pode ser outra coisa qualquer. É um principio universal…
A densidade do que se sente é tal que por vezes até o ar foge…e traz tanto desconforto que se torna quase insuportável estar e permanecer.

Sendo o ego o nosso negociador interno, engajado em satisfazer o nosso ID da forma mais equilibrada e em consonância com o exterior onde nos movemos e que absorvemos…ele é a parte de nós por onde a nossa Alma melhor se consegue fazer ouvir. É o canal.

A alma sente. Ela simplesmente observa e sente. A alma reconhece. Reconhece no outro a parte de si mesma que existe em tudo e revela-se na alma do outro sem que este o tenha que perceber. Só as almas se recebem. Sim, recebem-se uma na outra e então fluem como têm que fluir… Não há luta. Não há poder. Há toda a imensidão do sentir. Imenso, infinito, lento, subtil…como a Alma é.

Recordemo-nos sempre que entre uma questão e a sua resposta há que respirar e confiar que as almas sabem mais, muito mais, infinitamente mais do que as nossas lutas interiores de poderes e de quereres. E é o nosso ego, se saudável e nutrido, que nos permite o movimento sublime de permanecermos, respirarmos, sentirmos, observarmos e esperarmos.

Cristina Fernandes
www.cristinasfernandes.wix.com/hipnoterapia
Hipnoterapia/Terapia Transpessoal/Terapia Regressiva

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