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Somos o Amor que damos

Somos o Amor que damos

Com o tempo descobrimos os véus que toldam a nossa visão.
Não a dos olhos que essa apenas nos dá aquilo que nos é mostrado.

A visão do coração, essa sim, necessita de ser descoberta de todos os véus que lhe vamos colocando ao longo da vida. São os véus das nossas necessidades. Dos nossos quereres. Das nossas fragilidades. E das nossas carências.
Sim esta coisa de sermos humanos implica a sua dose de carência, somos seres de vinculo, de afectos, de pele.

Esta é uma descoberta dolorosa. Cada véu que cai é na verdade arrancado, ou rasgado. E o que entra fere. Como a luz fere os olhos depois de muita escuridão.
Inevitável a tristeza.

Uma tristeza serena e tranquila. A tristeza que sabemos que passará. Não a agarramos. Não fugimos. Nem tão pouco a negamos. Olhamo-la. Sentimo-la cá bem dentro de nós. E então, passado o seu tempo, ela segue caminho e desvanece-se no horizonte da nossa senda.

Diferente é quando a agarramos, negamos, ou dela nos refugiamos na frieza do não sentir. Do não existir…reforçando couraças que em vez de protegerem apenas nos encarceram em nós e afastam de nós mesmos. Distorcemos então qualquer toque de leveza…afinal, não podemos derreter pois derreter é sentir e sentir é morrer. Escudamo-nos no racional e vamos enrijecendo e gelando queimando tudo ao nosso redor para nos enganarmos e mais uma vez fugirmos da dor. Se queimamos não podemos ser gelo…mas somos. De tão desesperadamente racionais perdemos toda a lógica e nem damos por ela.
Inevitável a tristeza.
Opcional a resposta.

E com o tempo aprendemos a deixa-la passar com o seu rasgar de mais um véu…sabendo assim que, apesar da dor, estamos mais perto…sempre mais perto do Amor.

Amadurecemos e sabemos que até a mais elevada muralha acaba por ruir sob a carícia insistente do vento, aquela onde antes qualquer palavra foi rebatida e qualquer toque negado.

Somos e seremos sempre o Amor que damos.

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