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Já ouviu falar do Tapping?

O nome em inglês, tapping, significa pequenas batidas ou palmadinhas, mas o método também é conhecido pelo termo, mais sofisticado, de Emotional Freedom Techniques (EFT), ou técnicas de libertação emocional.

O Tapping é uma combinação de técnicas orientais e ocidentais para ajudar a desbloquear emoções e condicionar a mente, partindo da premissa de que os transtornos emocionais têm por base perturbações no sistema energético do corpo.

Este sistema baseia-se no mapa corporal dos meridianos, elaborado pela Medicina Tradicional Chinesa e usado na acupuntura e shiatsu, por exemplo. A ideia da EFT, criada por um norte-americano chamado Gary Craig, é de que é possível obter benefícios aplicando nestes pontos pressões leves e repetidas, ao mesmo tempo que nos concentramos numa questão emocional específica. Este procedimento permite libertar a mente de condicionamento

Cada experiência que temos, e todas as emoções e sentimentos associados, ficam como que embutidos no nosso cérebro, e quanto mais uma acção ou pensamento se repete, mais forte é a ligação entre esses neurónios e mais provável se torna determinado comportamento ou pensamento ou emoção.

Nós estabelecemos padrões e rotinas ao longo da vida, algumas simples, como escovar os dentes, andar, ler e escrever, e outros mais “complexos” como a forma como interagimos com as pessoas nas nossas vidas, como reagimos em determinadas situações, os estados emocionais mais frequentes, etc. Temos a tendência para nos defenirmos “eu sou assim” mas será que somos mesmo? Muitos dos nossos comportamentos baseiam-se em estados emocionais aprendidos e repetidos automaticamente sempre que o estimulo exterior é semelhante ao que desencadeeou aquela ligação neoronal pela primeira vez.

A boa noticia é que os padrões negativos também obedecem a esta regra, logo, são passíveis de ser interrompidos. Um exercício simples para interromper antigos padrões indesejados pode ser feito com o Tapping …

O Tapping vai interromper esses padrões antigos, libertando a memoria emocional até então estagnada, e energizando o cérebro para estabelecer novos padrões mais saudáveis e produtivos. O exercício que se segue foi criado para estes objectivos.

1 – Escolha o dia em que vai praticar esta abordagem.

2- No dia anterior, identifique o que quer fazer no dia seguinte, mas que a sua experiência passada lhe diz que irá mais uma vez adiar. Por exemplo:

Exercício Fisico

Meditar

Ser mais focado no trabalho

Ignorar algo por um dia

Passar mais tempo com os seus filhos

Trabalhar nas suas paixões criativas

Ser mais paciente com “X”

“Eu programei que ia começar a fazer exercício e não o fiz! Eu disse que ia ser mais paciente e não fui! ” Estas são auto-análises ao nosso dia que por norma acontecem á noite, quando constatamos que mais um dia passou e nada mudou. A forma como revemos o nosso dia, principalmente de tudo que NÃO fizemos ainda reforça mais o padrão de não fazer as coisas que sabemos serem importantes…sempre que pensamos ou dizemos que não fizemos algo associando-lhe uma emoção de frustração, os tais neurónios disparam e reforçam a ligação neuronal habitual, tornando a experiência mais provável de acontecer novamente.

3- Depois da lista feita, chega o dia que vai dedicar a esta prática. Para praticar a interrupção dos velhos padrões, é necessário que esteja especialmente alerta a si mesmo e às suas reacções e pensamentos, de forma a identificá-los mal eles disparam, praticar o tapping e criar novos padrões que substituam antigos. É importante criar uma nova ligação neuronal através da acção/pensamento pretendidos, dessa forma estamos a estimular o nosso cérebro e a potenciar um novo caminho automático.

Vou dar-lhe o meu exemplo pessoal, e a partir dele poderá adaptar ao seu caso:

Eu queria meditar de manhã com mais frequência, para definir uma intenção clara para o meu dia e iniciá-lo da melhor forma. E eu queria realmente mudar o padrão do meu acordar, que é imediatamente sair da cama e começar a organizar o dia activamente, conectando-me com o mundo quase de imediato.

Escolhi o dia, defini claramente a minha intenção de mudar esse padrão na noite anterior, e nessa manhã tive o padrão mental imediato de saltar da cama, ligar o telemóvel, verificar o email. A minha rotina … Então, quando eu senti esse impulso – e quando estamos realmente alertas e atentos a nós mesmos, sentimos os nossos impulsos “automáticos” com todos os seus detalhes! – parei e fiz apenas alguns minutos de afirmações com o tapping (no fim deste artigo encontra-se um link que o levará a um video exemplificativo):

– Mesmo que eu queira ver o meu e-mail agora … eu amo-me e aceito-me totalmente como sou.

– Mesmo que eu tenha este velho padrão de comportamento … Eu escolho comportar-me de forma diferente agora …

– Mesmo que parte de mim queira agir como sempre, essa parte de mim sou eu também e eu opto por mudar esse padrão agora.

Sobrancelha: Parte de mim quer conectar-se e verificar o e-mail …

Ao lado do olho: Eu tenho este velho padrão …

Sob o olho: Isto quer continuar …

Sob o nariz: Este padrão antigo …

Sob a boca: De me conectar imediatamente …

Clavícula: E eu opto por deixá-lo ir agora …

Sob o braço: É seguro fazer uma escolha diferente …

Topo da cabeça: E meditar agora …

Este exercício de Tapping simples pode mudar um padrão indesejado … poderá ter que o praticar duas vezes de seguida, várias vezes ou apenas uma vez para quebrar o automatismo e fazer aquilo a que se propôs – no meu caso a meditação matinal.

Brinque com este exercício, usando-o durante o dia. Encare-o como um jogo, esteja alerta e “apanhe” o  seu cérebro quando ele está a disparar para executar os mesmos padrões antigos, e dê-lhe uma opção diferente. A opção que quer agora tornar automática.

Pode não acreditar. Mas experimente. Dê essa oportunidade a si mesmo.

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