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Gerês, um trilho com sentido

Dia do Pensamento

Ainda estava no inicio de um trilho de 12 km e tudo já começava a fazer sentido.

Teria 5 horas para pensar, livre, sem impedimentos. O terreno não tinha muitos obstáculos, mas de repende era bastante acidentado. à primeira subida… ui controla a respiração! Sobe e desce… e sobe e desce… e está quase.. ok.. piloto automático, o corpo já anda sozinho.

Agora sim, estou nas nuvens… Não precisamos de ir muito depressa… podemos abrandar dos 4 para os 2,5 km/hora, assim podemos apreciar a paisagem envolvente.. e que paisagem, que experiência. A Natureza é uma megalómana… A sério… que impacto, que grandiosidade.. e sobe e desce (lá se mistura a informação transmitida pelo corpo) e continuamos. “Agora vamos passar por um sítio mais difícil” e lá atravessamos os penedos apertados e depois damos um salto. “Com cuidado!” “E agora? Por onde vamos?” “Deixa-me ir à frente, eu é que sou o guia” “Ok.” “É por aqui”

Neste momento atravessamos um pântano incrível! “Parece que aqui nunca bate o sol” Uma camada grossa de musgo nos troncos, e mais musgo pendente nos ramos das árvores “Eles estão andar muito rápido, e não sabem o caminho” “Eles esperam…”

Mais adiante, passamos uma corrente de água “Pessoal, alguém quer abastecer?”
O pensamento vai fluindo.. e mistura-se uma espécie de stardust, com aliens, com o nosso código genético, o corpo humano e o cérebro…

“Chegamos ao Ócasis” “Disseste ócasis?” “Sim, uma mistura de oásis com acaso” “Ahahah, tá boa!”
Passadas 3h de caminhada, a fome já aperta.. “Quando é que paramos para almoçar?” “Está quase…”
Sentados num alto apreciamos um alto maior e desfrutamos da marmita merecida. “Trouxemos café” “Que categoria!”

“Temos de continuar, ainda faltam 6 km”

Depois do almoço, comemos, arrefecemos, e claro é um recomeço mais violento… Aqui vamos nós… E eis que o corpo já vai sozinho. Devia corrigir a postura, olhar para cima… a paisagem, brutal.

O corpo deixa-se conduzir pelo espírito. Vai livre, leve e solto.
O melhor dos dois mundos emerge nas situações mais extremas, daquilo que é mais simples, puro e belo.

Ana Lídia Almeida